sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Relatos de um Observador



De algum ponto reticente interior, 17 de Dezembro de 2011,

Caro e querido enigmq,
Escrevo-te pq,
...
tu
existes.

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Oi.
hn, hoje...só hoje, pude perceber o porque o Enigmas Escondidos foi trancado... perceber que não foi simplesmente porque quis... e sim, pq ele perdeu o sentido de existir, seu porque, seu, podemos dizer, viver... Esse canto interior, louco, apaixonado, entristecido e nostálgico, nasceu de mim, ou melhor, de um nós... cresceu e viveu por alguem, alguem que moveu todos seus melhores versos, tornando-os intensos, verdadeiros, e pq n... pequenos toques aprisionados em um fundo escuro e abandonado em todos os cantos de meu ser - hoje inexistente - ... E perceber que não tenho direitos sobre este pequeno relicário de deleites, sonhos e quereres passados... percebi que trancando-o não posso correr o risco de deixá-lo ser encontrado por desconhecidos e roubados como se não tivesse dono... trancando-o, hoje notei que só quem o moveu no viver, tem o direito e todos os mistérios pra conte-lo no eterno... desse modo, dou-o a ti, escondidq em todos os versos, textos, cantos, e respiros desse mundo que existiu.
Eis a chave,
Eis o fecho,
www.enigmasescondidos.blogspot.com
Ele é teu.
Gratq por te-lo feito tão lindo e tão pleno.

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Com carinho,
eu,
em tempos autor,
em tempos ator,
em tempos hoje,
observador
...



"...E mesmo desse modo, me sentir como se estivesse plenq de tudo..." Lispector, C.

terça-feira, 28 de junho de 2011

.Trancado.



.pra 'reformas internas no interno de mim'.

Ps: "...se eu esqueço de mim..." - Eu não paro (Ana Carolina)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

.Tocando.




"Enquanto houver você do outro lado,
aqui do outro eu consigo me orientar."

(TM - O anjo mais velho)

sábado, 14 de maio de 2011

Pingo de chuva.



Um pingo de chuva lhe caiu sobre o rosto,
Diferente do que esperei,
Simplesmente o deixou seguir,
Como se deixasse ser quadro,
E aquele pingo de chuva, um pincel de cores e tons a se mover,
Tão livre, tão cheio de querer...
Observei com cuidado e curiosidade...
Aquele pingo, entregue aos contornos, deixou-se ir...
Passando pelo tempo, pelo jeito, pelos cantos, pelo ser...
Aquele pingo, deixou-se mover pelo som de todos respiros,
Por instantes, quis também mover-me com ele,
Só por sentir,
Só por querer,
Só por deixar ser...
Abandono de tudo,
Encontro de corpo, de versos, de estudo...
E como se pudesse , de repente, habitar naquele pingo de chuva,
Risquei aquele rosto feito pincel colorindo um quadro,
Roubando seus sentidos todos,
Misturando sons, cheiro, medos, verbo e sonhos,
Toquei seus cílios produzindo bemol’s, escurecidos pelo rímel,
Titubeei perto daqueles olhos de céu,
Anoitecido entre astros flutuantes,
Quis que o tempo se rompesse,
Que, de repente, aquilo lhe causasse incômodo,
E, então, seus dedos me desfizessem...
Só por sentir,
Só por querer,
Aquele ultimo ver,
Olhos de céu contornados de querer...
Desse modo, simplesmente deixei-me ir...
Seguindo...
A lei a qual me submeti sendo pingo de chuva,
Não me fez refém daqueles olhos,
Não quis neles me prender,
Deixando –me livre, mesmo sem outros motivos pra viver,
Entristeci-me...
Seguindo...
Deixei-me ser,
Encostei-me naquele rosto, como se de repente,
Pudesse vir a rompê-lo,
Invadi-lo e ver por dentro,
O outro lado do espelho,
Só por sentir,
Só por querer,
Só pra saber...
Mistérios de mulher...

(...)

Um sopro quieto do vento roçou meus cabelos de tempestade,
Estremeci...
Meus sentidos avisavam que logo aquele rosto,
Que meu corpo vestido de vapor líquido tocou,
Que todos os traços contornados,
Que todos os abraços,
Já não seriam meus,
Já não seriamos nós,
E eu... já não... seu...
...
Daquele passeio,
Restavam –me poucos minutos,
Daquele rosto,
Restavam-me tudo...
Não quero deixa-lo,
Não quero dividi-lo com nenhum outro,
Tive medo...
Um trovão ressoou por perto,
Cantando o fim desse meu encontro,
Desse meu ser,
Desse meu querer,
Devaneio que me fez,
Que me fiz...
Num ultimo respiro,
Pousei inquieto nos lábios seus,
Como um pássaro sobre fios de tensão,
Provando de seu calor,
Sentindo-me invadido por mil elétrons,
Corrente aprisionando tudo o que sou,
Foi então que percebi,
Seus lábios entreabertos me bebiam,
E quando outros pingos de chuva bateram à porta,
Já não podiam te ter,
Já não podiam ser,
Já não podiam sentir,
Porque eu,
Dentro de ti,
Habitei todos os espaços,
Todos os pedaços,
Desvendando todos seus mistérios,
Todo seu querer,
Todos os sentidos,
Só por sentir,
Só por sabor,
Só por que,
Te amei,
Mulher.

PS: “E, assim, no teu gosto eu fui chuva, jeito bom de se deixar viver” (Quando fui chuva – Maria Gadú e Luiz Kiari

domingo, 8 de maio de 2011

... Quando...




É estranho quando se conhece,
De perto, de toque, de cheiro alguém,
E esse, de repente, por tempos eternizados,
Ocupando todos os espaços,
Entre abraços e respiros seus...

É estranho quando só aqueles olhos emadeirados te fazem sentir pleno,
Quando só os minutos contados no relógio do nós tem verdadeiro sentido no seu viver,
É estranho quando alguém já não é um sozinho,
Quando deixando-se, é então, um pedaço seu escondido em tudo,

É estranho quando entre mil sons,
Quando mesmo longe,
Se pode ouvir e sentir-se atraído pelos compassos daquele simples ‘oi...’
É estranho quando dois se tornam um,
Habitando um castelo de sentidos, de sentires, de querer...
É estranho o encontro do corpo, se perdendo no tempo,
Abandonando-se, escondido no mistério de querer ser ond... oceano,

É estranho quando...
...
Se perdem todos os nexos, todos os medos, todos os jeitos,
Quando se... mente, em meio-dizeres cheios de caos,
Quando se quer dizer ‘amo’ e tudo o que se diz é ‘eu’...

Quando se quer estranhos minutos perdidos pelos cantos,
Pra se ter aquilo que ainda não deixou
De ser...
Sentido.
De ser...
Seu.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011





"Sê sempre o mesmo.
Sempre outro.
Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo."


Cecília Meireles.

Colorindo borboletas




Colorindo o céu,
Brincando,
Gritando,
Cantando,
Colorindo o seu,
O meu,
O canto escondido,
Em cada grito explodido,
No corre-corre de um pique-esconde,
Em que se esconde meus sonhos,
E eu, céu e seu,
Fico quieto quando olho,
Seu rosto pintado nos meus,
Coloridos naquele céu,
Coloridos naquele tempo,
Sobrepondo tons,
Sobrepondo ser,
Sobrepondo fé,
Supondo crer,
Ser,
Eterno...
E eu, céu e não seu,
Ainda escondido no pique-esconde meu,
Esperando ser achado,
Esperando ser amado,
Esperando ser,
Esperando crer...
Então,
Colorindo meus, fazendo seus,
Pintando sonhos naqueles rostos,
Dando-os sentido,
Sentindo,
Fiz também,
Pintor que sou, céu e seu,
Borboletas pequenas de papel,
Feito arquiteto dobrando o caos,
Feito ator queimando metal,
...
Olhei seus riscos ali nos meus,
Olhei seu nu vestido de branco no nu dos dedos meus,
Olhei... contornando sonhos meus,
...
Pintei seus rabiscos,
Chorando seus gritos,
Ser livre, ser tom, sem som...
Então,
Roubei todo o ar de dentro de mim,
E soprei todos os sonhos que encontrei,
E, brincando de verdades,
Pequenas borboletas de papel,
Voaram naquele céu,
Naquele seu,
Naquele...
Meu,
Amém.