
E o tempo, senhor de tudo,
Fez-se humano, e como um,
Precisou de um ‘tempo’ pra se recompor,
Ordenou então aos astros que parassem os minutos...
E eu, tão humana quanto ele também parei, obediente,
Sobre os ponteiros do velho relógio,
Mas o fiz só para ver todos os que passavam,
Naquele outono pintado de galhos secos e pétalas brancas no calendário,
O que não esperei,
Também ali, que pudesse meus olhos, ver-te em mim.
E nesse delírio incalculado e exato,
Pude ver que não importavam direções,
Esteve sempre perto,
Aqui...
E então, sem querer, num desses caminhos me achou,
Sentou-se a meu lado no ponteiro dos segundos,
E ele, mesmo fraco, sustentou-nos nos braços,
Enquanto nós nos sustentávamos num abraço,
De meio corpo, de pouco contato,
De sentidos tantos,
De batimentos trocados...
Um tremor,
Cruzei meus dedos nos seus quando o senti,
Pobrezinho, desacostumado com laços,
Não quis prender-se em silêncio, em sentidos,
Com medo, de também ele, ser envolvido pelo nó...s,
...
Pulamos então, pro ponteiro dos minutos,
Mediano em tamanho e em conhecimento...
Não se importou quando neles pisamos,
Respiramos fundo e rasgamos o verbo...
Mas cheio de racionalidade e elétrons,
Tremeu quando nossos olhos se encontraram,
Formando campos magnético seqüestradores de sons,
De passos, de tudo...
E vacilando, titubeante no vazio entre os números,
Fez-nos cair pelos seus cantos,
Desafinado,
Em desarranjos incoerentes e protestos cortantes.
...
Um baque – como o toque de um sino clássico,
Paramos no ponteiro das horas,
Horário de um quarto inteiro.
Nele, pude sentir-vos em cada pedaço de mim,
O baque naquele chão de momento, fatos, tempo...
Deixou nossos corpos deitados,
Lado a lado, estendidos em sentidos,
Juntos, em rabiscos, tons e contrastes...
Ali, nossos olhos se bebiam,
Querendo tudo romper.
...
Foi quando nos encontramos,
Como alguém frente ao espelho,
E quando sentíamos o sabor do nós naquele beijo...
O ponteiro se moveu,
O senhor do tempo voltou ao olímpo,
Desumanizou-se por puro ciúmes,
E me acordou, enfurecido,
Com sete sinos e um trovão.
...
Pobre de mim, lua de noites ‘diamante negro’,
Despertei com sede daquele beijo,
E sem poder tê-lo, esperando,
Me afundei no oceano,
Feito um velho navio que não chegou a tempo ao porto,
Feito um velho avião que não encontrou pouso,
E me deixei, lua que sou,
Habitar imensidão de mistérios.
...
Descontente que é, o senhor do tempo amaldiçoou-me,
Tirou de mim todas as cores,
E branco e sem jeito me fez,
Prendeu-me no firmamento,
E com fios bem amarrados em roldanas de seu conhecimento,
Me rouba do fundo das águas, me expondo quando o quer,
...
O que o senhor do tempo não contou,
É que a cada noite que deixo as ondas,
Levo o mistério daquele beijo aos olhos humanos que eu vejo,
E os envolvo encurtando passos,
Estendendo sentidos,
Encontrando os olhos que não se veem,
Os corpos que não se teem,
Desfazendo as maldades que ele fez,
Por simplesmente querer se fazer humano que não crê,
No amor...
Em mim...
Nós...
Você... meu amado e lindo sol.
PS: "Quando fui chuva" (Luis Kiari e Caio Soh)
Como sempre escrevendo lindamente! :)
ResponderExcluirOiêe, passando aqui para pedir que participe da campanha de Natal .. Para um natal mais feliz ..
ResponderExcluir> http://meumundoloove.blogspot.com/2010/12/campanha-para-um-natal-ainda-mais-feliz.html
obrigada .. um Feliz Natal para ti :*
Toda espera tem um tempo determinado para deixar de ser espera e ser encontro? Uma mulher espera 9 meses para contemplar sua obra, assim como toda gestação, criação, como todo sentimento, e querer...tudo é espera, mas tudo é encontro? A espera motiva, o encontro concretiza, mas necessariamente necessita um do outro? Será que um dia esse querer vai ser livre, e certeiro, ou só será espera...Belo texto, espero que um dia escreva o concretizando, ou o encontrando...Bjkas
ResponderExcluir